A duas semanas do início da COP30, a Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop) confirmou que 132 países já têm hospedagens asseguradas para participar da conferência do clima, em Belém (PA). O número representa uma guinada na logística do encontro e consolida o quórum necessário para deliberações oficiais, enquanto outros 49 países ainda finalizam acordos de acomodação.
A COP30 ocorre de 10 a 21 de novembro de 2025 e terá como epicentro o Parque da Cidade, onde funcionarão a Blue Zone (área de negociações sob gestão da ONU) e a Green Zone (programação aberta e administrada pelo país anfitrião). Antes, nos dias 6 e 7 de novembro, Belém sediará a Cúpula de Líderes.
A infraestrutura de hospedagem foi um dos pontos mais sensíveis da preparação: a pressão de demanda elevou preços e expôs gargalos na rede hoteleira e em locações de temporada. Intervenções da Justiça do Pará e acordos com plataformas buscaram conter abusos, com multas e obrigações de revisão de tarifas. Segundo o governo e organizadores, a capital paraense agora dispõe de 53 mil leitos distribuídos entre hotéis, navios-hotel, residências de temporada e Airbnb.
A confirmação de 132 delegações com hospedagem assegura o patamar mínimo de representatividade exigido para a validação de decisões no âmbito da Convenção do Clima da ONU. Duas semanas atrás eram 87 países confirmados; o avanço, portanto, destrava a confiança logística na reta final. Ainda há 49 países negociando leitos — um esforço que envolve governos, a Secop e a rede privada.
Do lado da diplomacia, a presença ampliada facilita o andamento das discussões sobre metas de mitigação, adaptação, financiamento e mecanismos de implementação. A diversidade de delegações importa especialmente em Belém, onde a presidência da COP tem sinalizado ênfase em adaptação e inclusão social na transição ecológica.
Na Blue Zone, área controlada pela UNFCCC, ocorrem as negociações formais, sessões plenárias e encontros entre delegações e chefes de Estado. O acesso é restrito a delegados credenciados, agências internacionais, imprensa e observadores reconhecidos. É nessa área que se definem textos e acordos multilaterais.
A Green Zone, administrada pelo Brasil, é a vitrine de inovação, educação e engajamento da sociedade. Nela, ONGs, universidades, empresas e coletivos promovem debates, exposições e apresentações culturais, conectando o grande público à agenda climática e às soluções locais — tudo dentro do Parque da Cidade.
Além disso, hubs e pavilhões temáticos — como o Cities & Regions Hub — prometem mobilizar governos subnacionais e redes internacionais, reforçando a colaboração entre cidades, estados e a esfera federal.
O tema hospedagem foi alvo de críticas ao longo de 2025, com reportagens e notas oficiais indicando preços elevados e baixa disponibilidade de quartos. O governo brasileiro resistiu a pedidos para relocar o evento e manteve a aposta na Amazônia como palco da conferência, enquanto órgãos de defesa do consumidor e tribunais passaram a atuar contra preços abusivos. Decisões judiciais preveem multas diárias para plataformas que descumprirem determinações, além de avaliações sobre ofertas até três vezes acima da média histórica.
Com a pressão regulatória, houve queda de preços em parte dos anúncios de hospedagem de curto prazo, e o poder público divulgou números atualizados da capacidade local: 14.547 leitos em hotéis da capital e região metropolitana; 6 mil em navios; 10.004 em residências de temporada geridas por imobiliárias; e 22.452 via Airbnb, totalizando 53 mil. A cidade também reformou motéis e adaptou escolas para acomodar delegações e equipes de apoio.
A agenda oficial vai de 10 a 21 de novembro, com plenárias, high-level segments e eventos paralelos. Já a Cúpula de Líderes — 6 e 7 de novembro — terá credenciamento específico, por questões de segurança e logística. O local principal foi estruturado no Parque da Cidade, embora comunicações da ONU façam referência operacional ao Hangar Convention and Fair Centre para serviços e fluxos logísticos — um arranjo já antecipado em eventos de grande porte, com uso de múltiplas estruturas da cidade.
A organização reforça alertas de phishing e fraudes em credenciamento, recomendando que participantes confiem exclusivamente nos canais oficiais da UNFCCC e do governo brasileiro para registros, passes e informações de acesso às zonas do evento.
A confirmação de hospedagens e o adensamento de delegações sinalizam uma injeção econômica relevante em Belém e cidades vizinhas, mas também impõem desafios de mobilidade, segurança alimentar e logística aeroportuária. O governo federal e a presidência da COP defendem que o evento deixe legados permanentes, como melhorias em drenagem, urbanismo e infraestrutura cultural no Parque da Cidade e entorno — áreas historicamente afetadas por alagamentos.
No plano internacional, a presença de 132 países com estadia garantida tende a ampliar a qualidade do debate sobre financiamento climático, perdas e danos, florestas tropicais e economia da adaptação — temas que dialogam com a vocação amazônica e o papel do Brasil em cadeias de bioeconomia e restauração de ecossistemas.
Mesmo sem credencial para a Blue Zone, o público pode acompanhar debates, exposições e experiências imersivas na Green Zone, além de pavilhões temáticos, trilhas de inovação e atividades culturais. A orientação da organização é planejar deslocamentos com antecedência, verificar horários de acesso e observar regras de segurança e de sustentabilidade (como descarte correto de resíduos e uso de garrafas reutilizáveis).
No ambiente digital, diversos atores — de agências da ONU a redes de cidades e ONGs — disponibilizam guias e handbooks para observadores, com instruções de credenciamento, mapas e regras de conduta dentro e fora das zonas oficiais.