Brasil lança programa de R$ 107 mi para bioeconomia amazônica

Coopera+ Amazônia vai fortalecer 50 cooperativas extrativistas em cinco estados, beneficiando 3,5 mil famílias com foco em produtos da floresta

Por Por Geisa Ferreira da Silva-
5 Min

Brasil lança programa de R$ 107 mi para bioeconomia amazônica
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, participou de anúncio de investimento em iniciativas de bioeconomia amazônica nesta segunda-feira, 17/11. Foto: Rafael Neddermeyer/COP30 Por Mayara Souto e Edson Carvalho/COP30

O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (17), durante a COP30 em Belém, o lançamento do programa Coopera+ Amazônia, que destinará R$ 107 milhões para fortalecer cooperativas extrativistas da Amazônia Legal. A iniciativa terá duração de 48 meses e beneficiará aproximadamente 3,5 mil famílias que trabalham com as cadeias produtivas do babaçu, açaí, castanha-do-brasil e cupuaçu.

O anúncio foi feito na Zona Verde da conferência climática, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, que ressaltou o compromisso do governo com a proteção da Amazônia através do desenvolvimento de alternativas econômicas sustentáveis.

"Esses recursos permitirão, nessa primeira etapa, agregar valor, aumentar a renda das famílias, fortalecer o cooperativismo na região e colaborar com o combate à mudança do clima", explicou Alckmin durante o evento realizado no Pavilhão do BNDES.

Parceria para desenvolvimento sustentável

O programa atenderá 50 cooperativas distribuídas em cinco estados da Amazônia Legal: Pará, Rondônia, Maranhão, Amazonas e Acre. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Do total de investimentos, R$ 103 milhões virão do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, enquanto o Sebrae contribuirá com R$ 3,7 milhões adicionais. A coordenação geral ficará a cargo do Ministério do Meio Ambiente.

Inovação e tecnologia para a floresta

Alckmin enfatizou que apoiar o cooperativismo é fundamental para melhorar a renda das pessoas. "O grande trabalho a ser feito é melhorar a renda das famílias na floresta amazônica", declarou o vice-presidente.

Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, celebrou os investimentos que ajudarão a melhorar a vida dos produtores. "Os investimentos ajudarão a melhorar a vida desses produtores para desenvolver máquinas, propor projetos, garantir mais produtividade, ter maior inserção no mercado e gerar emprego e renda. Isso é fundamental e vai ajudar a manter a floresta em pé", afirmou.

O presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima, destacou que o programa irá incorporar tecnologias que fortaleçam a bioeconomia amazônica. "É uma bioeconomia única, fruto dessa floresta extraordinária, que garante sobrevivência, não derruba árvores nem polui os rios, é sustentável. Essa é a reflexão que precisamos fazer, principalmente, nesse modelo de cooperativas", ressaltou.

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Capacitação e assistência técnica

As cooperativas selecionadas receberão acompanhamento de Agentes Locais de Inovação para Cooperativas (ALICoop), bolsistas do Sebrae que proporcionarão assistência técnica, consultorias de gestão, conformidade regulatória, acesso a crédito e abertura de novos mercados.

A presidente da Embrapa, Silvia Musshurá, explicou que a empresa fornecerá suporte técnico-científico para identificar lacunas e retroalimentar a pesquisa. "Vamos capacitar para identificar lacunas e retroalimentar a pesquisa. Contamos com dados e indicadores para monitorar essas cadeias e apoiar produtores rurais e comunidades locais, oferecendo informações para melhorar os sistemas de produção. Podemos ser parte da solução para as mudanças climáticas", destacou.

Estrutura do programa

O Coopera+ Amazônia está estruturado em três frentes principais: consultorias e capacitações voltadas à gestão cooperativista, assistência técnica e extensão rural, além da aquisição de máquinas e equipamentos para reduzir a penosidade do trabalho extrativista e agregar valor aos produtos.

Entre os resultados esperados estão o aumento da produtividade, crescimento do valor agregado dos produtos, elevação do faturamento, expansão do número de cooperados, redução e reaproveitamento de resíduos do extrativismo e aumento da renda para os beneficiados.

A estratégia também prevê a criação de um Escritório de Negócios Territorial para apoiar cooperativas na expansão comercial, fortalecimento de marcas e acesso a novos mercados. O projeto incorpora ainda levantamentos da Embrapa sobre máquinas e equipamentos adequados às cadeias da sociobiodiversidade, ampliando o potencial de mecanização no setor.

Fundo Amazônia em expansão

Criado em 2008, o Fundo Amazônia tornou-se o principal mecanismo de cooperação internacional para o clima no Brasil, combinando proteção florestal, desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida na Amazônia Legal. Após a retomada das doações em 2023, o número de doadores passou de três para nove, incluindo União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido.

Desde sua criação, o Fundo beneficiou cerca de 260 mil pessoas, apoiou 144 projetos e fortaleceu mais de 600 organizações comunitárias, alcançando 75% dos municípios da Amazônia Legal. Os recursos financiam combate ao desmatamento, bioeconomia, cadeias produtivas sustentáveis, proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais, além de monitoramento, pesquisa e inovação ambiental.

Coordenado pelo MMA e operacionalizado pelo BNDES, o Fundo contribui diretamente para metas climáticas, Acordo de Paris e objetivos do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Participaram da cerimônia de lançamento os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Márcio França (Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte) e a secretária de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta.


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