O Brasil e Camarões assinaram nesta semana um acordo bilateral para promover avanços na cadeia produtiva do cacau.
A parceria busca aproximar dois países que ocupam posições estratégicas no mercado mundial do produto e enfrentam desafios comuns, como a necessidade de aumentar a produtividade sem ampliar a pressão sobre áreas de floresta nativa. Por isso, o foco das ações voltadas à produção está em sustentabilidade, inovação e intercâmbio tecnológico.
O entendimento prevê ações conjuntas de transferência de conhecimento, capacitação de produtores e adoção de tecnologias agrícolas sustentáveis. Segundo representantes dos dois governos, a cooperação poderá contribuir para elevar a competitividade internacional das duas nações, além de incentivar práticas agrícolas mais resilientes às mudanças climáticas.
“O cacau é um ativo estratégico para o desenvolvimento rural e para a bioeconomia. Ao unir esforços com Camarões, o Brasil reforça sua posição como parceiro global em inovação agrícola sustentável”, afirmou um porta-voz do Ministério da Agricultura brasileiro.
Sobre o setor cacaureiro
O Brasil é o maior produtor de cacau das Américas, com destaque para os estados da Bahia e do Pará, responsáveis por mais de 90% da produção nacional. Já Camarões figura entre os cinco maiores produtores do mundo, ao lado de países da África Ocidental como Costa do Marfim e Gana.
Organizações do setor, como a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), avaliam que a cooperação poderá abrir portas para maior integração do Brasil nos mercados europeu e asiático, que vêm impondo regras mais rígidas de sustentabilidade para importadores.
No caso de Camarões, o acordo também representa a chance de diversificar exportações e atrair investimentos em inovação agrícola. Para especialistas, a parceria bilateral tem potencial de transformar a cadeia do cacau em exemplo de diplomacia climática aplicada ao agronegócio.
O acordo surge, portanto, como oportunidade de troca de soluções técnicas que ajudem a modernizar a cadeia.
Entre os eixos do protocolo estão:
Incentivo ao uso de variedades mais resistentes a pragas e mudanças climáticas;
Difusão de boas práticas agrícolas com menor impacto ambiental;
Apoio a políticas de rastreabilidade e certificação do cacau, alinhadas a exigências internacionais;
estímulo ao desenvolvimento tecnológico aplicado ao processamento e à agregação de valor