COP-30 lança Maloca, plataforma digital climática

Ferramenta inovadora promete democratizar participação global em debates sobre mudanças climáticas e ampliar vozes do Sul Global na conferência de Belém.

Por Por Alécio Câmara-
8 Min

COP-30 lança Maloca, plataforma digital climática
COP 30 lança 'Maloca', plataforma digital para ampliar participação global no debate climático — Foto: Divulgação

A Presidência da COP 30 apresentou ao mundo uma ferramenta que promete revolucionar a forma como a sociedade participa das discussões sobre mudanças climáticas. Batizada de Maloca, a plataforma digital foi desenvolvida em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e representa um marco histórico na democratização do acesso às conferências climáticas globais. O lançamento ocorreu durante a Climate Week, em Nova York, e já registrou mais de 4 mil acessos de usuários de todos os continentes.

A iniciativa vai além de uma simples ferramenta tecnológica. Trata-se de um compromisso do Brasil em garantir que as vozes de todas as regiões do planeta, especialmente dos países do Sul Global, possam influenciar diretamente os rumos das políticas climáticas mundiais. O nome escolhido para a plataforma carrega profundo simbolismo, fazendo referência às habitações comunitárias utilizadas por povos indígenas da região amazônica, espaços tradicionalmente destinados ao encontro, diálogo e construção coletiva de soluções.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30, destacou durante o evento de lançamento que a plataforma representa um passo fundamental para tornar a conferência mais inclusiva e acessível. Segundo ele, é preciso renovar a confiança no multilateralismo e nas Nações Unidas, demonstrando que trabalhar em conjunto é a única solução viável para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças do clima.

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Tecnologia a serviço da inclusão climática

A Maloca funciona como um verdadeiro portal global para a COP 30, que acontecerá entre 10 e 21 de novembro de 2025 em Belém, no Pará. Diferentemente de outras conferências climáticas, onde a participação era limitada pela necessidade de presença física, a plataforma elimina barreiras geográficas e financeiras, tornando possível que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, participe ativamente dos debates sobre o futuro do planeta.

A ferramenta oferece recursos técnicos impressionantes que demonstram o compromisso com a acessibilidade universal. Com tradução automática em sete idiomas (os seis oficiais da ONU mais o português), a plataforma garante que participantes de diferentes culturas e regiões possam interagir em tempo real, superando as tradicionais barreiras linguísticas que frequentemente excluem comunidades importantes das discussões climáticas.

A capacidade operacional da Maloca é outro diferencial que merece destaque. A plataforma pode abrigar simultaneamente até 7.200 eventos em 20 ambientes virtuais, funcionando ininterruptamente 24 horas por dia durante os 15 dias da conferência. Essa estrutura robusta permite que organizações da sociedade civil, governos, comunidades tradicionais e o setor privado realizem apresentações, coletivas de imprensa, debates e sessões de intercâmbio de conhecimento de forma simultânea e organizada.

Inteligência artificial contra desinformação climática

Um dos recursos mais inovadores da plataforma é o Macaozinho, um assistente climático baseado em inteligência artificial que foi especialmente treinado com documentos oficiais da ONU. Este assistente virtual oferece informações científicas confiáveis e verificadas, funcionando como uma barreira eficaz contra a desinformação que frequentemente contamina os debates sobre mudanças climáticas nas redes sociais e outros ambientes digitais.

O Macaozinho representa uma resposta direta a um dos maiores desafios contemporâneos: a disseminação de informações falsas sobre a crise climática. Ao fornecer dados baseados exclusivamente em fontes oficiais e cientificamente validadas, a ferramenta ajuda participantes a fundamentar suas discussões em evidências sólidas, elevando a qualidade do debate público sobre questões ambientais.

Prioridades da presidência brasileira

A criação da Maloca está diretamente alinhada com as três prioridades centrais estabelecidas pela Presidência Brasileira da COP 30: fortalecer o multilateralismo, conectar o regime climático à vida real das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris. Marcos Neto, diretor do Gabinete de Apoio a Políticas e Programas do PNUD, enfatizou que a plataforma não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas sim um mecanismo que amplifica vozes e soluções capazes de transformar o mundo para melhor.

A CEO da COP 30, Ana Toni, explicou que a expectativa é que a Maloca funcione como um espaço permanente de debates, não se limitando apenas ao período da conferência. A plataforma está sendo concebida para operar ao longo de todo o ano, permitindo que discussões continuem em um verdadeiro espírito de mutirão colaborativo, possibilitando a participação de todas as pessoas, independentemente de onde estejam.

Democratização das vozes do Sul Global

A preocupação com a inclusão dos países do Sul Global nas discussões climáticas não é casual. Historicamente, essas nações enfrentam desafios estruturais significativos que amplificam sua vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que têm recursos mais limitados para participar de conferências internacionais. A Maloca surge como resposta a essa desigualdade histórica, garantindo que comunidades tradicionais, povos indígenas, organizações da sociedade civil e governos de países em desenvolvimento tenham voz ativa nas decisões que afetarão o futuro de seus territórios.

O desenvolvimento da plataforma começou antes da COP 29 em Baku, atendendo a um pedido específico do embaixador Corrêa do Lago para que a COP 30 promovesse maior participação pública. Durante a Climate Week em Nova York, a ferramenta foi testada em diversos eventos, incluindo painéis sobre sustentabilidade ambiental e inteligência artificial promovidos pela Coalition for Digital Environmental Sustainability (CODES).

Oportunidades para eventos virtuais

A Presidência da COP 30 anunciou a abertura do sistema de inscrições para organizações interessadas em realizar eventos virtuais dentro da Maloca. Instituições, governos e empresas podem submeter propostas de atividades relacionadas à mudança climática global e à agenda de ação da conferência. O prazo para envio de propostas é 12 de outubro, com divulgação dos resultados em 19 de outubro.

Essa abertura para a sociedade civil representa uma mudança significativa no formato tradicional das conferências climáticas, onde frequentemente o acesso é restrito a delegações oficiais e organizações credenciadas. Ao permitir que qualquer entidade proponha eventos e debates, a plataforma democratiza efetivamente o espaço de discussão, transformando participantes passivos em agentes ativos da construção de soluções climáticas.

Rota para Belém: preparação para a conferência

A Maloca integra a iniciativa "Rota para Belém", uma parceria estratégica entre o PNUD no Brasil e a Secretaria de Clima, Meio Ambiente e Energia do Ministério das Relações Exteriores. Esta iniciativa mais ampla busca engajar a comunidade global no caminho até a conferência, criando um processo participativo que antecede o evento oficial e garante que as discussões estejam amadurecidas quando os líderes mundiais se reunirem na capital paraense.

A plataforma está disponível tanto via site quanto por aplicativo móvel para dispositivos Android e iOS, garantindo acessibilidade em diferentes contextos tecnológicos. Interessados podem acessar a ferramenta através do endereço www.routetobelem.com/maloca, onde é possível criar avatares personalizados e explorar os ambientes virtuais que hospedarão os debates durante a conferência.

Contexto da COP 30 em Belém

A escolha de Belém como sede da COP 30 carrega significado profundo para o Brasil e para o mundo. Esta será a primeira conferência climática realizada no coração da Amazônia, a maior floresta tropical do planeta e um dos ecossistemas mais importantes para a regulação do clima global. A expectativa é que mais de 40 mil visitantes cheguem à capital paraense durante o evento, incluindo delegações oficiais, organizações da sociedade civil, jornalistas e ativistas climáticos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enfatizado a importância simbólica de discutir a Amazônia dentro da própria Amazônia, permitindo que líderes mundiais vejam de perto as comunidades indígenas, ribeirinhas e tradicionais que são guardiãs desse patrimônio natural. A Maloca, ao estender a presença da conferência para o ambiente digital, permite que milhões de pessoas que não podem estar fisicamente em Belém também participem dessa experiência transformadora.

Legado permanente para futuras conferências

Um dos aspectos mais inovadores da Maloca é sua concepção como legado permanente da COP 30. Diferentemente de infraestruturas físicas que ficam ociosas após grandes eventos, a plataforma digital está sendo desenvolvida para continuar operando após novembro de 2025, servindo como modelo para futuras conferências climáticas e mantendo vivos os debates iniciados em Belém.

Essa visão de longo prazo demonstra o compromisso do Brasil em não apenas sediar uma conferência bem-sucedida, mas em transformar estruturalmente a forma como a humanidade debate e decide sobre questões climáticas. Ao criar um espaço digital permanente, inclusivo e tecnologicamente avançado, a Presidência Brasileira sinaliza que a luta contra as mudanças climáticas exige participação contínua, não apenas encontros pontuais a cada ano.

Interessados podem conhecer a plataforma e enviar propostas de eventos em: www.routetobelem.com/maloca.


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